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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Los abrazos rotos"

Harry Caine (Lluís Homar) é invisual e antigo realizador de filmes, sobrevivendo da escrita de argumentos e da ajuda da fiel e antiga produtora e do filho desta, o seu secretário, escrivão e guia. O destino obrigará Harry a confrontar-se com o seu trágico passado, quando ainda utilizava o seu verdadeiro nome – Mateo Blanco, onde se cruzou com, a aspirante a actriz, Lena (Penélope Cruz) e o seu marido, o importante empresário, Ernesto Martel.

O consagrado realizador Pedro Almodóvar está de regresso com “Los abrazos rotos”, que conta com, a cada vez mais convincente e sensual, Penélope Cruz. Ainda que talvez não esteja ao nível da obra mais recente de Almodóvar (sobretudo de “Hable com ella” e “Volver”), o filme é mais uma longa teia de personagens, embargadas em conflitos de grande carga emocional. Partindo de um desfecho conhecido, o espectador busca a explicação para a tragédia sucedida, sendo que esta oscila nos habituais sentimentos: “paixão”, “ganância”, “traição” e até o “amor” espreita no último suspiro…

A simplicidade desarmante, com que a história decorre, não nos deverá fazer esquecer do brilhante formalismo do filme, nomeadamente a cuidada composição dos cenários (cores garridas das roupas vs. acções trágicas) e os enquadramentos dos planos (o árido refúgio de Lanzarote vs. a hiper-latina Penélope). Um filme bem acima da média!

Pontuação: * * * 3/5 - A não perder
Sessão: Cinemas Cidade do Porto, 25/09/2009, 21:30

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"Gran Torino"

Walt Kowalski (Clint Eastwood) , veterano da Guerra da Coreia e antigo trabalhador da Ford, preenche os seus dias com a reparação da casa, cerveja e visitas mensais ao barbeiro... A recente morte da sua mulher deteriora, ainda a mais, a relação com os seus dois filhos, deixando Walt completamente isolado, num bairro maioritariamente composto por imigrantes! Numa noite, o seu jovem vizinho Thao, pressionado por um gang local, tenta roubar o tesouro que Walt orgulhosamente ostenta: o seu carro "Gran Torino" de 1972! No entanto, Walt defende o rapaz, do gang, o que o torna o herói do bairro, especialmente para a mãe de Thao e a irmã mais velha, Sue, que insistem que Thao trabalhe para Walt como forma de se redimir. Nasce assim uma amizade improvável entre Walt e a comunidade de Hmongs, imigrantes do sudeste asiático, que ele desprezava até aí...


Em "Gran Torino" Clint Eastwood, naquele que é provavelmente o seu último filme como actor, recupera a memória dos marcantes personagens que interpretou no passado (desde os westerns de Sergio Leone ao justiceiro fascizante "Dirty" Harry) e faz a súmula destes no envelhecido e desiludido Walt Kowalski... Walt vive consternado pela mudança de vivências e valores sociais que não consegue acompanhar ou compreender... É como se personificasse a
"queda do império norte-americano", com a perda de referências (pouca importância da Ford), a crise económica (desertificação dos bairros) e a invasão de imigrantes (outrora inimigos de Guerra). É com a amizade que estabelece com a comunidade Hmong, sobretudo com Thao e Sue, que Walt (e Clint?) encontra a sua oportunidade de redenção dos preconceitos e traumas de guerra que o perseguem! É feita justiça da forma mais improvável e comovente possível...

Um GRANDE filme que dispensa grandes comentários!! Adeus Mr. Eastwood. ;)

Pontuação:
* * * * 4/5 - Imprescindível (Grande, grande, grande filme!)
Sessão: Dolce Vita, 30/03/2009, 21:30

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"Dúvida"

Corre o ano de 1964 e os ventos da mudança política estendem-se pela comunidade norte-americana. A Escola de St. Nicholas, no Bronx, acaba de aceitar o seu primeiro estudante negro, Donald Miller. A novata e optimista "irmã" James (Amy Adams), partilha com a "irmã" Aloysius (Meryl Streep) a sua suspeita de que o carismático e progressista padre Flynn (Seymour Hoffman) presta "demasiada atenção" a Donald! A partir desse momento, a directora Aloysius enceta uma violenta cruzada pessoal para descobrir a verdade, ainda que sem nenhuma prova para além da sua certeza moral...

Para quem tenha visto a peça, cujo brilhante texto deu origem ao filme (protagonizada em Portugal por Diogo Infante e Eunice Muñoz), "Dúvida" não dispõe o seu maior trunfo que consiste no fulminante efeito surpresa no confronto entre freira e padre! Em contrapartida, a linguagem cinematográfica, devidamente associada às exímias interpretações dos actores (Streep, Hoffman, Adams e Viola Davis) permite uma exploração dramática mais intensa e crescentemente sufocante... A troca de acusações, entre os protagonistas, é de tal forma dura e chocante que quase faz com que o próprio espectador esteja prestes a entrar em colapso nervoso... De destacar também a impressionante sequência onde a freira Aloysius confronta a mãe de Donald (Viola Davis) com a possibilidade de este estar a sofrer abusos da parte do padre... A gélida reacção da mãe é um momento de "cortar à faca"... Não deixa de ser curioso que um filme formalmente simples, consiga interagir e baralhar tanto o espectador. No final, tal como para a "freira inquisidora", a dúvida dificilmente se desfaz e acompanha-nos na saída da sala! Um filme interessante, perante o actual momento social e mediático... Até porque perante a grave acusação, o padre Flynn, num dos seus sermões, compara o boato/dúvida a uma almofada de penas que é aberta em pleno topo de um edifício... "Depois de rasgada não é mais possível recolher todas as penas que continha..."

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível (Grande filme, portanto!)
Sessão: Dolce Vita, 19/03/2009, 21:30


P.S.: Mais um Oscar "roubado" a Meryl Streep, embora desta vez tenha sido por uma boa causa. Kate Winslet portanto... :p

segunda-feira, 30 de março de 2009

"Slumdog Milionaire"

Jamal Malik, um órfão de 18 anos dos pobres subúrbios de Bombaím (agora chamada, em Portugal, de Mumbai!) encontra-se a uma pergunta de vencer o concurso "Quem Quer Ser Milionário". A proximidade de tal inusitado sucesso acaba por o tornar suspeito de fraude! Ao longo do brutal interrogatório policial, a que é submetido, vamos conhecendo todo o percurso de Jamal (paralelamente também o da Índia) com destaque para a história com a sua amada Latika...

Assisti a "Slumdog Milionaire" após a sua estrondosa vitória na noite dos "Oscars" (oito estatuetas incluindo a de "Melhor Filme"), o que acaba por infelizmente condicionar fortemente a minha opinião sobre o filme... O argumento do filme roça o brilhantismo. O personagem Jamal consegue responder a todas as perguntas do concurso, apesar da sua reduzida formação e conhecimentos, pelo facto das mesmas estarem relacionadas com episódios do seu crescimento e vivências. Todos os aspectos, que o filme pretende realçar e criticar, conseguem ser abordados de uma forma coerente e completamente dentro do contexto, nomeadamente: Bollywood, a pobreza em que as populações vivem, discriminação social & religiosa, problemas económicos, criminalidade, entre outros... Por isto o filme é, em termos formais, muito bom. O que talvez acabe por "matar" o filme é uma certa leveza e displicência com que alguns aspectos, supostamente sérios, são tratados. Parece haver uma tentativa de descompressão perante momentos que deveriam ser de grande intensidade dramática (morte, violação, pobreza...). Além do normal e aceitável happy end, o final do filme acaba por ser o corolário de tudo isto , com a alegre cena de dança típica dos filmes de Bollywood... O filme acaba por ser uma pequena desilusão, do género "filme de pobrezinhos para ocidental ver, sem ter de ir para casa a pensar muito".

Pontuação: * * 2/5 - A ver
Sessão: Cidade do Porto, 14/03/2009, 21:30

domingo, 29 de março de 2009

"O Casamento de Rachel"

A propósito do "Casamento de Rachel" uma família reúne-se para os preparativos, ensaios e cerimónia efectiva do casamento. Por entre amigos e familiares de cada um dos noivos, surge o regresso temporário a casa de Kym (Anne Hathaway), irmã da noiva, directamente vinda de uma clínica de reabilitação... Segue-se uma espiral de conflitos e discussões, típicas de uma desagregação familiar, sobre tragédias passadas por resolver (que convém não revelar)... A necessária "descida ao inferno" é correspondida pela catarse e reconciliação possíveis, sem que esta família atinja o ponto de ruptura nem a paz por completo...

O filme tem um aspecto anormalmente "realista", para um filme do género, graças à utilização da chamada "câmara ao ombro". Nota-se aliás a constante oscilação entre o registo documental (nos momentos mais dramáticos entre os personagens) e o "home movie" (puro registo dos preparativos e momentos do casamento). Esta opção confere um dramatismo adicional a toda a situação, elevando o filme a um patamar que de outra forma dificilmente atingiria. Destaque para os actores que, pelo facto de não se dispor de artifícios como a montagem ou variação de câmara, são obrigados a ter um desempenho irrepreensível. Especial destaque, neste capítulo, para Anne Hathaway com uma fabulosa interpretação, de fazer um "nó na garganta" em vários momentos... Bom filme! :)

Pontuação: * * * 3/5 - A não perder
Sessão: Cidade do Porto, 07/03/2009, 21:30

terça-feira, 24 de março de 2009

"Revolutionary Road"

Tentar descrever ou criticar "Revolutionary Road", adaptado do homónimo romance de Richard Yates de 1961, tem tanto de difícil como de inútil! Estamos perante uma obra cuja completa apreensão e entendimento só são possíveis através do seu atento visionamento. Isto é um lugar comum e provavelmente aplicável a todo e qualquer filme, mas "Revolutionary Road" é a perfeita ilustração deste principio.
O realizador Sam Mendes, oscarizado por "American Beauty", pega no casal idílico do Cinema da última década, DiCaprio e Winslet (protagonistas do célebre "Titanic"), e lança-o na deprimente vida matrimonial no subúrbio norte-americano dos Anos 50... O resultado está longe de ser bonito ou reconfortante! O que leva os jovens emancipados a abdicar de todos os seus sonhos, objectivos ou experiências, em prol de uma vida de casal socialmente formatada (casa, carro & filho...)? Que consequências poderão decorrer dessa opção de vida, que acabará sempre por constituir uma desilusão parcial? Poderá o "amor"/paixão resistir à erosão do conformismo? Utopia vs realidade! Hummm... Valerá a pena espreitar, as ENORMES interpretações de Di Caprio e Winslet, num grande grande grande filme...

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível
Sessão: UCI Arrábida, 04/03/2009, 21:30

segunda-feira, 23 de março de 2009

"MILK"

Em inícios dos anos 70, Harvey Milk abandonou o seu bem remunerado emprego em Wall Street e decidiu "sair do armário" mudando-se para o bairro "Castro", em plena cidade de S. Francisco (Califórnia), com o seu companheiro de longa data. O animado bairro "Castro" era o refúgio de hippies e homossexuais, numa América intolerante e marcada pela Guerra do Vietname... Em 1975, Milk é eleito como representante do bairro na câmara local, tornando-se no primeiro homossexual norte-americano assumido a ser eleito para um cargo público (ascendente de Obama?). Milk desempenha também um papel importante na vitória do "Não" no referendo à "Proposição 6" (1978), que propunha o impedimento dos professores homossexuais leccionarem em escolas públicas. Harvey Milk acabaria por ser morto, em 1978, por Dan White, colega de Milk na câmara municipal!
"Milk", realizado por Gus Van Sant, apresenta todas as características (virtudes e defeitos , portanto) habituais de um filme do género "biopic". O facto de se basear em factos verídicos limita a sua imprevisibilidade dando pouca margem de manobra a actores e realizador. Em sentido inverso, a caracterização de uma realidade contemporânea trágica, reforça a carga dramática do filme e da mensagem que se pretende transmitir. "Milk" detém dois trunfos fundamentais que o distinguem de outros filmes do mesmo género... A temática da luta dos direitos cívicos dos homossexuais é, ainda hoje, um tema fulcral, actual e muito longe de estar resolvido... O filme é uma premonição da "vergonha", que irá ser sentida por aqueles que ainda hoje se recusam a reconhecer igualdade de direitos aos homossexuais! O segundo trunfo, o único de cariz cinematográfico diga-se, é a fabulosa interpretação de Sean Penn (premiada com o segundo Oscar do actor) que o estabelece imediatamente como uma referência indelével da História do Cinema... Indescritível e merecedora de uma atento visionamento. Bom filme! :)

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível
Sessão: Cidade do Porto, 16/02/2009, 21:30

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

"Frost / Nixon"

No Verão de 1977, três anos após a sua demissão do cargo de Presidente dos EUA, Richard Nixon acedeu quebrar o silêncio a que se tinha remetido ao concordar ser entrevistado pelo britânico David Frost. Em troca de uma avultada quantia monetária, Nixon pretendia utilizar a entrevista como um meio de regressar ao palco mediático da política e de retratar a sua imagem, na sequência do escândalo "Watergate". David Frost, um bem sucedido apresentador de talk shows em Inglaterra e Austrália, era o improvável entrevistador e poucos acreditavam que teria sucesso na tarefa de obrigar Nixon a retratar-se dos erros/crimes que cometera... Os dois dias de entrevista deram origem a um conjunto de quatro programas televisivos denominado "The Nixon Interviews", entretanto editado em DVD dado o sucesso do filme. O primeiro dos programas obteve uma audiência de 45 milhões de pessoas, a maior de sempre da história para uma entrevista política, valor esse que ainda hoje prevalece... Após a emissão dos programas , Nixon não mais regressou à política e o pedido de clemência ao povo americano, que acabou por fazer num momento da entrevista é, ainda hoje, a imagem que prevaleceu dele...

Baseado num acontecimento verídico, Peter Morgan (argumentista de "A Rainha" e "O último Rei da Escócia") escreveu a peça "Frost/Nixon" e posterior adaptação para cinema. Os actores protagonistas do filme, Michal Sheen (Frost) e Frank Langela (Nixon), são os mesmos da peça o que contribuiu seguramente para o seu sucesso... O filme encena de forma brilhante o combate entre dois grandes egos... De um lado Nixon, motivado pelo desejo de reparar a sua imagem e respectivo lugar na História, do outro Frost, que ambicionava a consagração e reconhecimento do jornalismo dito "sério". Nenhum detalhe é desprezado, sendo que o espectador mergulha nos bastidores e longos preparativos que antecederam as entrevistas. Quando o momento do confronto chega a entrevista mais parece um combate de "boxe", onde apenas um dos lados pode vencer... No caso venceu Frost! O filme aparentemente não tem nada a seu favor dado que se trata "apenas de uma entrevista" mas, além da ilustração de um momento histórico, permite também uma reflexão sobre o poder do jornalismo e sua relação com os "profundos" bastidores da política... Muito bom!

Pontuação: * * * 3/5 - A não perder
Sessão: UCI Arrábida Shopping, 11/02/2009, 21:50


Para quem viu o filme e/ou gosta de História... A "SIC Notícias" tem vindo a transmitir as referidas entrevistas durante a presente semana. Aconselha-se! Também se encontram algun s excertos no youtube provenientes do site oficial do programa (link). Por aqui fica: "I gave them a sword, and they stuck it in...".

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

"Valquíria"

"Valquíria" conta a história de Claus von Stauffenberg, estrela militar em ascensão no exército das forças armadas alemãs, que liderou um atentado a Adolf Hitler e consequente tentativa de golpe de estado, a qual foi bem sucedida por algumas horas. Hitler terá sofrido mais de 40 atentados, sendo que aquele que terá estado mais próximo do êxito ocorreu, a 20 de Julho de 1944, quando o Coronel von Stauffenberg consegui fazer explodir 1 Kg de explosivos durante uma reunião militar no quartel-general ("Toca do Lobo") de Hitler...

(Stauffenberg à esquerda de branco, a 15 de Julho de 1944, dias antes do atentado)

Este escapou miraculosamente ileso ao atentado... Dois imprevistos contribuíram para tal: a mala que continha os explosivos acabou por ficar ligeiramente mais afastada de Hitler do que era suposto e a reunião, que estava prevista realizar-se num bunker, acabou por ocorrer numa normal sala de jantar permitindo assim uma maior dissipação da energia da explosão... Pequenos detalhes que poderiam ter mudado o curso da história! Von Stauffenberg, convencido de que tinha sido bem sucedido, na sua tentativa de eliminar o chefe Nazi, regressou de imediato a Berlim para colocar em marcha a "Operação Valquíria" (tomada do poder com recurso ao exército de reserva). Contudo, perante a evidência de que Hitler tinha sobrevivido, a ordem foi restabelecida e todos os conspiradores acabaram por ser fuzilados nessa mesma noite. Um acto de traição à época, é hoje encarado como algo de heróico... A prova que a Resistência alemã existiu e que nem todos no país partilhavam a visão Nazi...

O filme é excelente... Além de todo o valor histórico que carrega, trata-se de um thriller de suspense trepidante! O espectador já sabe como a história acaba mas, ainda assim, resta a esperança de que Stauffenberg possa ser bem sucedido, o que nos faz "agarrar" à cadeira tamanha é a tensão. A sequência do "atentado" é absolutamente magistral, do melhor cinema de suspense/acção que se tem visto ultimamente. Tom Cruise, apesar dos devaneios da Cientologia e das polémicas "cor-de-rosa" com a esposa Katie Holmes, prova, mais uma vez, que é um grande actor e uma das grandes "estrelas" de Cinema que restam... Uma boa surpresa!

Pontuação: * * * 3/5 - A não perder
Sessão: UCI Arrábida Shopping, 06/02/2009, 22:05

sábado, 7 de fevereiro de 2009

"Vicky Cristina Barcelona"

Viagem estival de duas amigas norte-americanas à apaixonante cidade de Barcelona! Vicky (Rebeca Hall) é o elo sensato e ponderado do par, estudante de cultura catalã e de casamento marcado com o namorado. Cristina (Scarlett Johansson) é a eterna sonhadora, sexualmente desinibida e sempre em busca de uma paixão arrebatadora... Tudo parece fazer sentido até o momento em que conhecem Juan António (Jarvier Bardem em modo "macho latino") e a sua ex-mulher Maria Elena (Penelope Cruz em modo "latina passional"). Os personagens envolvem-se numa série de pequenos triângulos amorosos que colocarão em causa as suas concepções de vida e objectivos, ainda que o desenlace final coloque tudo de volta ao ponto de partida...
"Vicky Cristina Barcelona" é um filme engraçado... Não é a "pura" comédia "WoodyAliana", o que até pode ser bom, e os personagens conseguem ter a profundidade suficiente para fugirem ao estereótipo que aparentemente representam. À sensualidade latente, responsabilidade dos actores e da própria cidade de Barcelona, mistura-se uma interessante (ainda que "levezinha") reflexão sobre as ambições, compromissos e a constante insatisfação das "pessoas". Tudo ilustrado pelas luminosas paisagens e elementos arquitéctónicos de Barcelona...

Pontuação: * * 2/5 - A ver
Sessão: Cidade do Porto, 03/02/2009, 22:00

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

"A Valsa com Bashir"

Documentário na primeira pessoa, do realizador israelita Ari Folman, sobre os seus traumas e sequelas originados pela participação na Guerra Israel-Líbano, nomeadamente no massacre de Sabra e Shatila em 1982. Este massacre resultou no assassínio de 3.500 refugiados palestinos, por intermédio de milicianos cristãos maronitas (apoiantes de Bashir), com a complacência do exército Israelita que controlava o campo de refugiados em causa. Ao longo de "A Valsa com Bashir" acompanhamos a viagem de redescoberta de Ari Folman pelas suas memórias do tempo de Guerra, cujo subconsciente parece bloquear. Para tal, reúne-se e entrevista antigos colegas, do tempo da Guerra, cujos depoimentos serão essenciais para a reconstrução dessa memória até à conclusão total do puzzle trágico!

Nomeado para o óscar de "Melhor Filme Estrangeiro", o filme permite uma reflexão sobre as causas e motivações do longo conflito israelo-árabe, precisamente numa altura em que se vive outra Guerra na zona em causa. Apesar de ser um filme obviamente partidário/"de causa", nota-se o esforço do realizador em ser o mais objectivo possível, concentrando-se no relato das suas histórias e dramas de Guerra... Para além da sua actualidade, "A Valsa com Bashir" diferencia-se pelo facto de ser um filme em "animação", o que confere uma estranha beleza e magnetismo a cada uma das cenas... Claro que o "encanto" é totalmente destruído na brilhante e inesquecível cena final, onde os desenhos dão lugar a imagens reais (de arquivo), nas quais mulheres palestinas choram pelos familiares mortos... Só aí é que o espectador se dá conta, de que o que está assistir, efectivamente ocorreu e continua a acontecer...

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível
Sessão: Cidade do Porto, 23/01/2009, 21:30

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"A Troca"

Em Março de 1928, em Los Angeles EUA, Christine Collins (interpretada por Angelina Jolie), mãe solteira, chega a casa, após mais um dia no trabalho, e descobre que o seu filho de 9 anos desapareceu. A polícia de Los Angeles , já de si pressionada por decorrentes acusações de incompetência e corrupção, tenta resolver o caso de forma a suster a enorme cobertura mediática (onde é que eu já vi isto?). Após alguns meses a polícia anuncia o aparecimento da criança. Contudo, por entre o frenesim mediático da foto do reencontro entre mãe e filho, Christine apercebe-se que a criança em causa não é o seu filho...

A partir da história verídica de Christine Collins, o realizador, Clint Eastwood apresenta um fortíssimo drama individual íntimo. Em "A Troca" ("Changeling"), Christine Collins é uma mulher a quem tiram tudo (incluindo a sua dignidade...) menos a determinaçáo de lutar pelo que "está certo". O embuste criado pela polícia de Los Angeles, que visa satisfazer os seus interesses corporativos e políticos, é um acto de extrema violência para com a mãe, ainda que esta nunca perca a compostura, esperança e a determinação de encontrar o seu filho. Tudo isto f ilmado com uma grande beleza formal e pontuado com uma excelente banda sonora. O filme só peca por em alguns momentos se desviar do seu maior trunfo, o drama e a luta de Christine, maravilhosamente interpretada por Angelina Jolie. O segundo "Oscar" para Mrs Pitt?

Pontuação: * * * 3/5 - A não perder
Sessão: UCI Arrábida Shopping, 16/01/2009, 21:40

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

"RocknRolla"

Após o visionamento de "RocknRolla" fica a sensação que Guy Ritchie se devia ter divorciado de Madonna mais cedo... ;) A vida até corria bem a Ritchie, quando em pleno ano 2000 (com apenas 32 anos) já contava com dois excelentes filmes de culto no currículo: Lock, Stock and Two Smoking Barrels (1998) e Snatch (2000). Ainda que pareçam uma variante de "Scorcese/Tarantino light", dificilmente se encontram filmes com um argumento tão desconcertante e humoristicamente brilhante!! Após o casamento com a "Rainha da Pop", Ritchie só saiu da "toca" para fazer o inenarrável "Swept Away" devidamente protagonizado por Madonna...

"RocknRolla" marca o regresso de Guy Ritchie à boa forma! E que saudades! :) Mais uma extensa galeria de personagens inacreditavelmente hilariantes, a saber: ladrões de vão de escada, um magnata russo (Abramovic do Chelsea?), mafiosos com mania das grandezas, um rocker viciado em heroína, dois capangas de leste indestrutíveis, uma contabilista sexy aborrecida com a vida... Enfim! Tudo isto em em torno do nebuloso mundo da promoção imobiliária vs licenciamento de terrenos em Londres... :p Destaque para as interpretações de Gerard Butler e Thandie Newton (uii), que conseguem criar uma tensão/química sexual em tão poucas cenas... Na memória ficará a espantosa cena de perseguição entre o personagem de Gerard Butler e os dois capangas indestrutíveis... Espectacular! :) A "fórmula" do filme já não surpreende, mas continua a ser um óptimo divertimento... :p

Pontuação:
* * * 3/5 - A não perder
Sessão: Norte Shopping, 13/01/2009, 21:40

domingo, 18 de janeiro de 2009

"Austrália"

Bom... As minhas expectativas eram enormes aquando do visionamento de "Austrália". Foi anunciado como uma reinvenção dos clássicos filmes épicos, tendo como pano de fundo a entrada da Austrália na 2ª Guerra Mundial. O filme tinha todos ingredientes para ser um sucesso, do ponte de vista artístico e também de "bilheteira". Um realizador, Baz Luhrman, que com apenas dois filmes marcou indelevelmente o Cinema dos anos 90 ("Romeu e Julieta") e também a decorrente década ("Moulin Rouge" - que vi 3 vezes, cof cof cof). Os actores conterrâneos: Nicole Kidman, a maior estrela e uma das melhores actrizes da última década (ver: "Eyes Wide shut", "Moulin Rouge", "The Others", "Dogville", "The Hours", "Fur", "Birth"), e Hugh Jackman que, filmes aparte, foi considerado recentemente o "homem mais sexy" de 2008. O argumento parecia poder misturar, na perfeição, vários géneros: western, história de amor, Guerra, "moral da história" (a redenção dos colonos australianos pela discriminação e maus tratos impostos aos indígenas do Continente)...

Ao contrário do que muitos dizem, o filme não me parece que seja "mau"! O grande problema é que está longe de atingir o nível de expectativa gerado... Boa realização, boa fotografia, interpretações razoáveis, bom ritmo, humor, acção, vilões, heróis, história de amor... Tudo isto acaba por ser posto em causa com o final hiper-super glico-doce-melado (a última meia hora de filme é penosa de se ver...) a que o espectador é sujeito!! Não tenho nada contra "finais felizes", desde que estes sejam devidamente enquadrados em função da história, e não simplesmente porque se quer "agradar" ao público, potenciando assim o valor comercial do filme... "Austrália" acaba por ser vítima do próprio veneno, não conseguindo ser um triunfo artístico nem de "bilheteira" (é já um dos maiores flops do ano). Talvez o tempo lhe faça justiça , ou talvez não! Veremos... :)

Pontuação: * * 2/5 - A ver
Sessão: Cinemas Cidade do Porto, 03/01/2009, 21:30

"O Silêncio de Lorna"

Humm... O argumento de "O Silêncio de Lorna", premiado com o respectivo prémio no passado Festival de Cannes e baseado em factos verídicos, é de facto bastante interessante... Uma emigrante albanesa a residir na Bélgica, a Lorna do título, tem um "falso" casamento marcado com um toxicodependente local (Claudy), que é pago para o efeito pela máfia albanesa. Pretende-se que Lorna obtenha a nacionalidade belga para que em seguida, após o "divórcio", se possa casar com um milionário russo em troca de uma quantia monetária choruda. Os toxicodepentendes são mais facilmente aliciáveis a entrar no esquema, além de poderem ser "eliminados" pela máfia sem levantar suspeitas (via overdose). Por forma a manter as aparências, Lorna e Claudy vivem e fazem toda a sua vida juntos, acabando por criar fortes laços e intimidade, sobretudo quando ele parece disposto a curar o vício com a ajuda de Lorna... A "paixão" acaba por surgir, ainda que as coisas não tenham um final muito feliz... ;)

O filme aborda o problema, existente em alguns países da União Europeia inclusive em Portugal, do lucrativo negócio dos "casamentos de conveniência", implementado pelas máfias da emigração de Leste. Só pelo "alerta" que lança, já vale a pena! A improvável relação amorosa entre os protagonistas é surpreendentemente verosímil, mediante o seu intenso convívio e difíceis circunstâncias em que ambos vivem... Contudo, o filme peca por alguma lentidão no desenrolar de algumas cenas além de um tipo de filmagem ("câmara à mão") que não contribui para o dramatismo da situação. Aliás, este tipo de filmagem mais realista/documental parece ser um sintoma de falta de meios da produção do filme, e não propriamente uma opção artística dos autores... O argumento, apesar de interessante no "tema", acaba por não desenvolver os personagens (motivações, razões, passado...) o que contribui para alguma indiferença do espectador perante o triste destino de Lorna e Claudy, ao contrário da esperada comoção... Já se viu melhor dos realizadores Jean-Pierre & Luc Dardenne, mas ainda assim "O Silêncio de Lorna" é um filme "a ver". :p

Pontuação: * * 2/5 - A ver
Sessão: Cinemas Cidade do Porto, 27/12/2008, 21:50

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"O Dia em que a Terra parou"

Dezembro não foi, de facto, uma boa colheita em termos cinematográficos! Fica a dúvida se o remake de "O Dia em que a Terra parou" marcou a corrente negativa, ou se limita-se a segui-la. No filme, o planeta Terra está na iminência de ser destruído por entidades alienígenas, com o intuito de preservar e proteger todas as espécies da acção da raça humana. Os "E.T.s" enviam um mensageiro (Klaatu - Keanu Reeves) para negociar com os representantes dos humanos (os governantes...), enquanto organizam uma "Arca de Noé" que recolhe todas as espécies que habitam o planeta, de forma a poder recria-lo noutro local. Claro que humanos não estão para aí virados (o habitual síndrome pós-9/11) acabando por maltratar o pobre alienígena. Apenas Helen (Jennifer Connely - um bom exemplo da personificação da beleza planetária) está disposta a ajudar Klaatu e é através da reconciliação da sua relação com o seu enteado (o pequeno Jacob), que o alienígena compreende a essência humana que eventualmente permitirá à mudança e salvação do planeta...
O filme não é propriamente mau, mas também não é grande coisa... Tudo ocorre em muito pouco tempo (apenas 90 minutos) e o filme nunca decide qual o seu verdadeiro género: de acção/"catástrofe" ou sério/reflexivo. Em termos de "efeitos especiais" e cenas de "suspense" (aterragem dos extra-terrestres), as coisas não parecem muito reais nem convincentes. Pior é a inenarrável interpretação de Keanu Reeves (que até foi protagonista de alguns dos melhores filmes de acção dos últimos 15 anos) cuja postura e dicção só dão vontade de sorrir... Claro está que se a Terra estivesse na iminência de ser destruída, deveriam ser guardados os genes de Jennifer Connely (que também já fez filmes muito melhores...), de forma a serem utilizados na repovoação... Mas nem isso consegue salvar um filme! :p

Pontuação: * 1/5 - Dispensável
Sessão: Dolce Vita, 26/12/2008, 22h

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

"Amália - o FiIme"

Não era nem sou um fervoroso apreciador de "Fado", contudo com a minha passagem pela Faculdade, e conseguente "vida académica", acabei por passar a gostar, respeitar e tolerar este género musical genuinamente português, que nos distingue do resto do Mundo. Até esse momento, olhava para o "Fado" como algo de: velho, antiquado, estranho (sobretudo para quem é por exemplo do Porto, onde não há grande tradição de o ouvir) e profundamente conotado com o regime de Salazar. Por arrasto, e enquanto maior símbolo do Fado, Amália Rodrigues levava com o mesmo rótulo... O visionamento de "Amália - o Filme" acaba por ser o culminar dessa minha mudança de pensamento...
O filme não consegue, nem pretende, ser mais que a pura ilustração da sofrida vida de Amália Rodrigues. Filmado a ritmo de "Telefilme" (em 2009 o filme dará lugar a uma série de 2/3 episódios) e com uma tremenda interpretação de Sandra Barata Melo, o filme permite-nos conhecer a história do mito "Amália" e facilmente se compreende a razão daquela triste e forte voz... Desde a infância traumática, ao mau relacionamento com os pais, o enorme sucesso com o Fado, o aproveitamento dos homens da sua debilidade emocional e algumas questiúnculas políticas... Tudo é apresentado em flashbacks, tendo como pontos de partida: a estadia de Amália em Nova Iorque (em meados de 1980 para exames médicos) e o concerto que esta terá dado no coliseu de Lisboa pouco tempo após a Revolução de 25 de Abril de 1974.
É precisamente neste simbólico momento que o filme consegue, por momentos, estar bem acima da média... No Coliseu de Lisboa, menos de dois meses após o 25 de Abril. Alguns (poucos) espectadores chamam “fascista” a Amália; outro grita “já não tens cá o Salazar”; a cantora deixa a voz e a alma correrem e conquista o público... Ora eu acabo por me rever naqueles que sempre conotaram e desprezaram Amália devido à sua conotação ao regime que oprimiu os meus (e nossos) pais... Contudo hoje, parece-me que Amália deve ser recordada por aquilo que verdadeiramente era: uma excelente e sincera intérprete... Provavelmente terá contribuído para as poucas alegrias que o povo teria naquela altura! Também eu acabei por ser "conquistado" por esse momento no coliseu, ainda que com mais de 30 anos de diferença. Se o país "perdoou" a outras figuras conotadas com o antigo regime (Edgar Cardoso, Eusébio, Simone, Henrique Mendes, etc), porque não fazer o mesmo com Amália Rodrigues? ;)

Pontuação: * * 2/5 - A Ver
Sessão: UCI - Arrábida Shopping, 21/12/2008, 21:50h

domingo, 11 de janeiro de 2009

"O Corpo da Mentira"

Humm... "O Corpo da Mentira" tinha tudo para ser pelo menos um "filme razoável": um histórico realizador (Ridley Scot), enormes actores & boas representações (Leo Di Caprio & Russel Crowe) e um tema actual (espionagem e as contradições da "luta contra o terrorismo"). O problema é que o argumento do filme é completamente disparatado e incoerente! Na primeira metade do filme, o personagem de Leonardo Di Caprio vê-se envolvido numa série de peripécias de forma a que o (burro!?) espectador compreenda o seu quotidiano e sobretudo a nebulosa relação com o seu superior hierárquico (Russel Crowe). A segunda metade apresenta a verdadeira trama do filme, com a respectiva "moral da história" a que se anexa uma pouco convincente "história de amor".

O filme parece um manifesto político liberal, contra a guerra e os abusos decorrentes da paranóia securitária norte-americana. Mas isto é de tal forma evidente, que a história parece ter sido feita à medida e "a martelo" de forma a se adequar a esse objectivo... Isto torna o filme muito pouco interessante... Salvam-se os actores e algumas cenas de acção! De resto, um filme que não deverá ser muito difícil de esquecer. Para quem gosta de filmes de espiões/políticos, mais vale rever o engraçado "Jogo de Espiões" (que está sempre a dar no Canal Hollywood) onde se consegue fazer uma mistura bem mais coerente de acção, "história de amor" e política...

Pontuação: * 1/5 - Dispensável
Sessão: Dolce Vita, 12/12/2008, 22h

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"007 - Quantum of Solace"

Durante muitos anos, os "filmes de acção" foram considerados como um género cinematográfico menor, para os quais não era necessário reunir bons meios de produção (nomeadamente bons argumentistas, actores e realizadores) para se obter um "sucesso"! Ainda que algumas excepções confirmassem a regra (Spielberg por exemplo), bastava juntar: uma história básica/linear, um par de actrizes bonitas, um herói engraçado e muitas explosões, para um "filme de acção" estar "feito"... Foi a era de ouro dos simpáticos Bruce Willis, Schwarzenegger, Stallone e Brosnan, além dos bem menos recomendáveis Van Damme, Steven Seagal, Lorenzo Lamas e Nicolas Cage (versão Michal Bay - "The Rock" e "Con Air"). Estes "heróis" foram envelhecendo e o público foi ficando também mais exigente, deixando a indústria do cinema de acção num impasse. Eis que as circunstâncias do novo milénio trouxeram um novo paradigma no que diz respeito ao cinema de acção. Surgiram filmes como: "Missão Impossível 3", "Ocean´s eleven", a série "Bourne", a série de "Homem Aranha" (1 e 2), "The Dark Night", "Casino Royale", "Diamantes de Sangue", etc... Os argumentos dos filmes deixaram de ser completamente ocos, a qualidade dos realizadores melhorou (JJ Abrams, Soderbergh, Doug Liman, Paul Grengrass, Christopher Nolan, Sam Raimi, entre outros) e não foi por isso que os filmes deixaram de ter público, ou seja: render muito dinheiro...

"Quantum of Solace" confirma esta tendência, que aliás já tinha sido preconizada no anterior "Casino Royale". Ao nosso "herói", James Bond no caso, já não o move somente a "simples" possibilidade de salvar o Mundo de um vilão tenebroso... A sua motivação advém do desejo de vingança e busca de redenção. O "herói" cinematográfico actual está muito mais próximo da realidade, permitindo assim uma fácil identificação com o espectador e um incremento da verosimilhança das histórias... Tendo como base um forte argumento e boas interpretações, "Quantum of Solace" ganha a liberdade necessária para ser aquilo que é: um espectacular "filme de acção"! E nesse campo roça o brilhantismo... Vou voltar a vê-lo! ;)

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível
Sessão: UCI - Arrábida Shopping, 04/12/2008, 22h

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Blindness"

Nem sempre é fácil encontrar pessoas que gostem de "falar de cinema"... Não me refiro aos banais e circunstanciais: "gostei", "não gostei", "seca", "não presta" ou "as pipocas já foram melhores". Conversar sobre a história ou interpretação de um filme, pode ser um exercício bastante complexo e por vezes íntimo, que carece do ambiente e companhia adequadas. Partilhar a interpretação pessoal de uma determinada cena é, muitas das vezes, um momento confrangedor... Pelo menos para mim, especialmente quando o interlocutor não está em sintonia e começa a lançar olhares do tipo: "Este gajo tem a mania... Veste-se de preto e tal!". A esmagadora maioria das pessoas encara uma ida ao cinema como uma "mera" forma de gozar o seu tempo livre, o que não me suscita nenhum repúdio (bem pelo contrário).

Pior, são aqueles que não sabem "falar de cinema"... Um chavão clássico desta estirpe é o famoso: "o livro é muito melhor...". Além da habitual presunção com que a expressão é utilizada, o chavão é de tal forma grande e opaco que mina qualquer eventual conversa sobre o filme... Tem carácter conclusivo sobre a discussão e por mais que que uma pessoa argumente, em prol ou contra o filme, tudo se resume ao facto de: "o livro é muito melhor...". O "chavonês" (:p) nem se sente obrigado a justificar a sua opinião, com argumentos estruturados e válidos na análise de um filme, visto que: "o livro é muito melhor...". Escusado deveria ser dizer que ainda que sejam baseadas numa mesma ideia/objecto, não é possível comparar uma obra literária com uma cinematográfica. São coisas completamente distintas que utilizam mecanismos, imaginários e interpretações diferentes. O filme deverá ser avaliado e comparado com outros filmes, e não com esculturas, quadros ou músicas... Cingir assim a apreciação de um filme, a um chavão clássico tão redutor, é não saber "falar de Cinema..." ou provavelmente não compreender o que é o Cinema!

Isto vem a propósito do filme "Blindness" baseado na obra, do Nobel português da Literatura José Saramago, "Ensaio sobre a Cegueira". Eu não li o livro!! Cof, cof, cof... E ainda bem, pois tudo o que li ou ouvi, sobre o filme, andava em torno da eterna comparação com o livro... De notar que, apesar de ser uma produção independente, o filme conta com algumas vedetas de Hollywood (Julianne Moore = óscar, Danny Glover e Mark Ruffalo) e abriu o último Festival de Cannes, o que por si só é um feito para a Literatura e cultura portuguesas.

Quanto à história... Um misterioso surto de cegueira branca afecta um grupo de pessoas, com origens raciais e sociais distintas, levando ao isolamento/aprisionamento destas por parte das instituições governamentais, com o intuito de impedir a propagação da doença... O grupo de infectados, que vai subindo gradualmente de número, vê-se assim obrigado a sobreviver em condições progressivamente miseráveis e extremas. Assiste-se assim a uma viagem aos confins da natureza humana onde a degradação, maldade e instintos pontificam. Os códigos sociais vão-se degradando e invertendo até o momento em que tudo se transforma num "estado animal"... (SPOILER) O momento mais "chocante" do filme, e também o que o melhor define, consiste na cena onde os personagens de Ruffalo e Alice Braga têm relações sexuais extra-conjugal, sendo surpreendidos pela "esposa" Julianne Moore. Cabe à personagem de Julianne Moore, a única que não perde a "visão", perdoar e continuar a tarefa messiânica de liderar o grupo até à redenção final.... Muito, muito bom! Melhor que o livro... ;)

Pontuação: * * * * 4/5 - Imprescindível
Sessão: UCI - Arrábida Shopping, 30/11/2008, 21:55